A Origem da Família Conde de Itaporanga

Trecchina, na Itália, daqui vieram os "Conte", que mais tarde viriam a ser "Os Conde"


É comum ouvir a expressão “Os Conde estão no poder em Itaporanga há muito tempo”. Quem pronuncia tal afirmação com certeza se refere ao fato de Manoel Conde Sobral ter exercido durante muito tempo o poder político na cidade de Itaporanga D’Ajuda. Há quem acredite que os “Conde” seriam apenas os seus descendentes. Há ainda os que pensem que este “Conde” vem de um título de nobreza, tal qual os barões que havia em Itaporanga.

A Vila de Itaporanga surgiu em 1854, durante o período do Império Brasileiro. Nos anos que se seguiram, três dos seis barões sergipanos tiveram forte ligação com a política da Vila: o Barão de Estância, donos de grandes engenhos, entre os quais o Escurial; o Barão de Itaporanga, dono do Engenho Itaporanga e o Barão de Laranjeiras, dono do Engenho Belém.

Porém, entre os títulos de nobreza distribuídos no Brasil imperial (Barão, Visconde, Conde, Marquês e Duque, em ordem crescente), cujo o de “barão” era o mais básico, o de “conde”, terceiro na ordem de importância não tem nada a ver com a família Conde de Itaporanga. Tão pouco essa história começa com Manoel Conde Sobral.

A história começa na Itália, com o senhor chamado Giuseppe Conte, que casou-se com a senhora, também italiana, Carminella Rotondano. São originários da comuna italiana de Trecchina, ao sul da Itália, na região da Basilicata, província de Potenza, uma comunidade bem pequena que hoje, no século 21 possui cerca de 2.404 habitantes, o que nos faz pensar na quantidade de habitantes existentes naquela época.

Ali nasceu Angelo Conte em 3 de abril de 1848. A crise na Itália pós-unificação (1860) impulsionou a migração de muitos italianos para o Brasil. Esse ciclo migratório iria aumentar após a libertação dos escravizados (1889). Nesse primeiro contexto, Angelo Conte migrou para o Brasil para tentar uma nova vida. O destino foi a cidade de São Félix, na Bahia. A forma de pronunciar o “Conte” italiano acabou gerando uma modificação fonética, e o “Conte” de Seu Ângelo acabou se transformando em “Conde”, o que pode ser atestado consultando os documentos pessoais dos falecidos.

Em São Félix, conheceu a senhora Theolinda Cardoso de Magalhães, nascida em Murituba, também na Bahia, filha do proprietário de terras português Antonino Ignácio Pinto de Magalhães. Em 7 de abril de 1883, uniu-se em matrimônio Theolinda Cardoso de Magalhães e Angelo Conde, em Salvador.

A família ficou numerosa. Desta união nasceram José Antônio (1883), Angelo (1884), Eduardo (1885), Conar (1885), Carmella (1886), Alice Carmella (1888), Laurinda (1892) e Albertino (1894).

Eventualmente, a família nascida em São Félix migraria para Sergipe. Desses personagens, para a história de Itaporanga serão importantes as irmãs Carmella de Magalhães Conde e Laurinda de Magalhães Conde. Cada uma delas gerará uma linhagem da família Conde de Itaporanga.

Carmella de Magalhães Conde, ou Carmelita, como era chamada para diferenciar da irmã Alice Carmella casou-se com Aurélio Dias Rezende, proprietário da Fazenda Dira, em Itaporanga, em 8 de setembro de 1909. Dessa união nasceram Antônio Conde Dias, jornalista, Jaci Conde Dias, poetisa, e Lucila Conde Dias.

A outra filha, Laurinda de Magalhães Conde casou-se com Manuel Dias Botto Sobral, em 15 de novembro de 1913, na vila de Itaporanga. Esse Manuel Dias Botto Sobral ficou conhecido na Vila apenas como Manuel Sobral ou Seu Manequinha, proprietário da Fazenda Costa do Pau d’Arco. É da união entre Manuel Sobral e Laurinda, que passará a assinar Laurinda Conde Sobral que nascerá Manoel Conde Sobral, e outros filhos. Nesse ponto, a história encontra o conhecimento popular mostrando os políticos da Família Conde que exerceram o poder na cidade, sobretudo, os descendentes de Manoel Conde Sobral. Mas, é bom frisar que nem todos são descendentes. Antônio Conde Sobral, ex-prefeito, por exemplo, era irmão de Manoel Conde Sobral; Otávio Sobral, ex-prefeito, é filho de Getúlio Sávio Sobral, irmão de Manoel Conde Sobral, que embora não tenha herdado o “Conde” da mãe por capricho do pai, não deixa de ser um descendente da família Conde. A prole de Manoel Conde Sobral será mais presente na política: Emanoel Sobral (ex-prefeito), Eduardo Sobral (pai do atual prefeito Ivan Sobral), Manoel Sobral Neto (Maneca, ex-vereador), Elder Silveira Sobral Junior (ex-vereador, filho de Elder Sobral)para citar apenas alguns.

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