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  A Origem da Família Conde de Itaporanga Trecchina, na Itália, daqui vieram os "Conte", que mais tarde viriam a ser "Os Conde" É comum ouvir a expressão “Os Conde estão no poder em Itaporanga há muito tempo”. Quem pronuncia tal afirmação com certeza se refere ao fato de Manoel Conde Sobral ter exercido durante muito tempo o poder político na cidade de Itaporanga D’Ajuda. Há quem acredite que os “Conde” seriam apenas os seus descendentes. Há ainda os que pensem que este “Conde” vem de um título de nobreza, tal qual os barões que havia em Itaporanga. A Vila de Itaporanga surgiu em 1854, durante o período do Império Brasileiro. Nos anos que se seguiram, três dos seis barões sergipanos tiveram forte ligação com a política da Vila: o Barão de Estância, donos de grandes engenhos, entre os quais o Escurial; o Barão de Itaporanga, dono do Engenho Itaporanga e o Barão de Laranjeiras, dono do Engenho Belém. Porém, entre os títulos de nobreza distribuídos no Brasil impe...

MEMÓRIAS LITERÁRIAS III

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 A Casa dos Santos Há milhares de anos, o ser humano deixava de lado o nomadismo para se tornar sedentário. Só esqueceram de avisar a minha família, milhares de anos no futuro, que a tendência que possibilitou o desenvolvimento do homem foi se fixar em um lugar. Há um espírito cigano que ronda a minha família há anos. Nasci no povoado Rio Fundo, em Itaporanga. De lá não trago nenhuma memória, a não ser aquelas que me foram contadas por terceiros, e que um dia ainda contarei. Mudei-me para a cidade com mais ou menos um ano de idade e desde então morei em vários lugares e cidades. Fora de Itaporanga, morada pouca. Sempre voltávamos à terra santa. Lembro bem da Rua da Jaqueira, em frente à casa de Adalgiso, onde alguns anos à frente Maninho teria um mercadinho. Ali vivi pouco tempo, mas guardo boas lembranças. A mais marcante foi justamente a minha partida. Era o ano de 1993. Final de 1993. Meu pai vendeu a nossa casa e comprou o que antes fora uma fábrica de flores, em Salgado. Porém...

MEMÓRIAS LITERÁRIAS II

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 Tabuada e Super Sapo Aprendi a ler o mundo com o Super Sapo, na época em que letra se confundia com fonema e a professora dizia "rê", "mê", "si". E nem por isso nos tornamos ignorantes. A educação antiga era feita de respeito ao professor, a quem chamávamos de tia(o), uma extensão da família. Hoje, as tias são modos de dizer de uma criançada mal educada e depositada em sala de aula porque em casa "enchem o saco". O Super Sapo foi a minha primeira cartilha, lá pelos idos de 1993, quando estudei na recém-inaugurada Escola de 1° Grau Pedro Almeida Valadares. A imagem dessa cartilha me trouxe a lembrança desse tempo. O cinza metálico das paredes da escola, as professoras - uma delas anos depois chegou a ser minha colega de profissão -, os mastros das bandeiras. Todos os dias antes da aula cantávamos o Hino Nacional. E à medida que íamos avançando de séries vinha a responsabilidade da memorizar  a tabuada. O rito da tabuada era assim: a professora ex...

MEMÓRIA LITERÁRIA I

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De Cabritos e Mata-fome Nos anos 90, quando visitava meus avós em Itaporanga (morei uns poucos anos em Salgado), a paisagem urbana da cidade sempre me encantava. Cabritos e Mata-fome se espalhavam por todo lugar. A árvore estava em todas as ruas e era a diversão da garotada. Tirar o Mata-fome exigia habilidade que só o astuto menino Itaporanguense conseguia ter. As técnicas eram variadas. Uns usavam paus retirados de alguma outra árvore próxima, mas havia a desvantagem de desmontar o fruto. Havia os que usavam pedras, e estes também não podiam garantir a integridade do valoroso fruto cor de algodão doce. Os meninos maiores conseguiam se atrepar nos pés de Mata-fome e estes eram os donos das espécimes mais graciosas, as que valiam muito no mercado das carteiras de cigarro. Mata-fome, aliás é nome moderno. Falávamos na época Morta-fome. Isso porque o consumo da doce fruta era muito comum entre a garotada, que as revezava entre mangas, goiabas e manjelão. Cada fruta tinha a sua temporad...